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Farmacêuticos d’outros tempos

CARLOS EPIFÃNIO
Carlos Epifânio da Franca, “O Veneno”, que herdou a farmácia (ao tempo”pharmácia”) de seu pai António Epiphânio da Franca (1868-1939).
A sua irreverência, os seus ditos espirituosos, apimentados e com utilização de português vernáculo, deixaram uma memória que foi passando de geração em geração, já que foi na verdade uma figura mítica, absolutamente invulgar. Toda a gente sabe uma história a seu respeito nem sempre contáveis mas com uma graça única. À Carlos Epifânio.
Algumas das pessoas que com ele trabalharam também passaram à “história de Alcobaça”, como são os casos de Manuel Gonçalves (vulgo Manuel das Laranjadas), Mário Belo e o “Farelo”. Este último ficou associado a algumas estórias deliciosas.

A que contamos hoje ter-se-á passado num dia de mercado semanal (quando as pessoas das aldeias vizinhas se deslocavam em grande número à sede do concelho para tratar dos mais diversos assuntos). Um aldeão apresentou-se na Farmácia Epifânio para mostrar uma mão em muito mau estado. Um dedo tinha um corte profundo e a mão estava inchada e muito vermelho. Era óbvio que a ferida estava infectada.Na sua voz nasalada Carlos Epifânio perguntou-lhe como é que ele tinha “arranjado” aquele ferimento tão feio. O “paciente” respondeu que se tinha cortado com um podão e para ajudar a cicatrização fez o que era costume na sua terra:-urinou no ferimento para ajudar a cicatrização da ferida.
A resposta do farmacêutico foi imediata e “venenosa”:- Ah mijaste-lhe?! Então agora caga-lhe!!!
As cenas seguintes não passaram à história mas não acreditamos que Carlos Epifânio não tenha recomendado um medicamento adequado para a infecção do “mijão”!
JERO
PS- Há outra estória sobre um produto que terá antecedido o "Viagra" que contaremos dentro em breve.

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Comentário de José Eduardo Reis de Oliveira em 14 abril 2010 às 15:13
Boa tarde Sandra Judite
Gostei muita de a ler e de saber que tinha conhecido em Alcobaça o seu primo Carlos, o "meu" Carlos Epifânio da Franca, também conhecido pelo "Veneno".
António Epifânio da Franca devia ser o irmão do pai da sua mãe, José Epifâneo da Franca.
Se precisar de alguma ajuda em relação à "história alcobacenses" dos seus familiares disponha.
José Eduardo Oliveira
Comentário de Sandra Judite de Sousa Silva em 13 abril 2010 às 1:05
Curioso!
A minha mãe tem uma história familiar, que actualmente é invulgar, mas quando nasceu (1936) era muito frequente na cidade de Coimbra.
O pai da minha mãe andou a estudar com um irmão em Coimbra. Viveu com a minha avó e teve dois filhos, mas quando acabou o seu curso de Medicina rumou para a santa terrinha, de seu nome Alcobaça. A minha mãe e o meu tio acabaram por comecer o pai quando foram à sua procura a Alcobaça, cotrariando a vontade da minha avó. Visitavam-no periódicamente, embora clandestinamente.
A minha mãe tinha um primo, filho do irmão do seu pai que se chamava Carlos mas que era conhacido como "veneno". Este primo Carlos,com quem cheguei a falar e a beber um cafézinho com natas, era uma personagem exótica, muito brincalhona e extrovertida. Não sabia como se chamava o pai do primo Carlos, mas o nome do pai da minha mãe era José Epifânio da Franca.
Curioso!
Comentário de Lourdes Silva em 16 setembro 2009 às 22:39
Divertidas as histórias...
Continuo a segui-lo com todo o prazer.
Comentário de Henrique Manuel Durão em 15 setembro 2009 às 14:15
Caro José Eduardo:
Cenas como a da sua história creio que as há um pouco por todo o Portugal especialmente em zonas rurais datadas dos anos 50,60 e 70 e talvez até mais tarde, mas a particularidade de serem recordadas e idilicamente bem descritas como é o caso, desperta-nos para um recuar agradável no tempo.
Fico a aguardar atentamente, com curiosidade masculina, pelo tal conto sobre o precursor do Viagra. Um abraço
Henrique Durão

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