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O perfil psicológico traça uma imagem aproximada de quem somos e, sobretudo, de como actuamos ou poderemos actuar nas diferentes situações da vida. Na verdade, é o perfil psicológico que, quando conhecemos alguém, procuramos rapidamente elaborar através da observação mais ou menos minuciosa da pessoa. Em poucos minutos desenvolvemos logo uma "teoria" sobre ela que mais não é do que o resultado das impressões que nos deixou.

Uma primeira impressão pode ser favorável e até fascinante. Já todos ouvimos falar do "amor à primeira vista", o que quer dizer que as impressões, nesses casos, são de tal forma galvanizadoras que despertam de imediato um leque de emoções irresistíveis (emoções de prazer). Também sabemos como, às vezes, esse exame é precipitado e empurra as pessoas para aventuras de final menos feliz do que o sonhado.

Com o tempo, as impressões vão-se acumulando, alterando-se e aos poucos tornamo-nos aptos a traçar um perfil psicológico de quem conhecemos. É claro que não é invulgar enganarmo-nos e a surpresa surge. Quem não se sentiu já decepcionado com pessoas de quem fazia uma ideia totalmente oposta àquela que, mais tarde, lhe é apresentada, por vezes de forma brutal?

Assim sendo, podemos dizer que o perfil psicológico que traçamos das pessoas é composto sobretudo por impressões. Veja-se o que se passa com as vedetas e como somos influenciados pelo contexto e a vida que levam. Com essas impressões construímos uma opinião, uma ideia, uma imagem global de cada uma. É assim que os relacionamentos se perpetuam seguindo diferentes percursos ou se extinguem também.

Uma observação científica para traçar o perfil psicológico de alguém segue procedimentos diferentes, como é evidente. As empresas e os tribunais são as instituições que mais frequentemente pedem avaliações psicológicas para conhecerem melhor quem desejam empregar ou, no caso da Justiça, quem vai ser ouvido como testemunha ou como réu.

Há alguns anos atrás participei numa avaliação requerida por um tribunal por causa de uma dúvida que se instalara num determinado julgamento de partilhas. Teria um dos herdeiros capacidade para levar uma vida autónoma, por exemplo, governar-se com uma choruda herança e até assinar cheques? É que os irmãos do interessado - eles também herdeiros - não confiavam na capacidade do senhor (teria uns 50 anos de idade). Feita a avaliação concluiu-se que a sua capacidade de autonomia era realmente modesta e havia necessidade de acautelar os interesses dos envolvidos, incluindo os dele mesmo.

Como se faz uma avaliação destas?

Um exame que nos permita traçar o perfil psicológico de alguém envolve uma ou mais entrevistas com o próprio e a pesquisa de antecendentes sociais e familiares, a sua biografia, a avaliação da personalidade e do seu perfil cognitivo (inteligência, estilo predominante de pensamentos, eventuais défices ou talentos, etc.). Ou seja, um exame destes aborda a pessoa sob uma perspectiva não social mas clínica.

O examinador treinado segue pistas que lhe são apresentadas, faz perguntas específicas e deve realizar testes que julgue adequados para completar a sua avaliação. Assim:

1º estuda o aspecto e a atitude da pessoa;
2º procura determinar o tipo de humor predominante e a sua capacidade de sociabilização;
3º observa o discurso e a linguagem;
4º procura perceber os continentes do pensamento da pessoa (como ela pensa, os seus conteúdos, eventuais perturbações ou limitações, a destreza de raciocínio, etc);
5º avalia a inteligência e outras dimensões mentais (cognitivas) para descortinar a sua capacidade de resolução de problemas da vida, a estrutura intelectual, etc.;
6º determina o auto-conceito (como a pessoa se vê e avalia a si mesmo);
7º avalia a capacidade do juizo crítico - capacidade que permite a uma pessoa tomar decisões adequadas a cada situação da vida e agir em conformidade (por exemplo, uma pessoa impulsiva por natureza tende a julgar irreflectidamente as situações e actuar com consequências negativas).

Como se pode ver trata-se de um exame muito completo que, com a ajuda de diferentes ferramentas (questionários, inventários, testes, etc.) permite aos especialistas obter um perfil o mais detalhado possível das pessoas que por esta ou aquela razão queiram ou devam ser examinadas ao pormenor.

No nosso dia-a-dia continuaremos agarrados às nossas impressões mas também a ideias, crenças, juizos e preconceitos que influenciam o que pensamos sobre os outros. Saibamos, neste caso, ser bastante flexíveis para não nos precipitarmos a julgar as pessoas com os primeiros dados obtidos (conversas, opiniões de outros, etc.) e suficientemente esclarecidos para perceber que há muito mais a descobrir nelas para além da aparência (social, física e psicológica). Por isso mesmo é ajuizado cultivarmos relações abertas, francas e também exigentes. Nem toda a gente nos merece. Ou não concorda?

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Comentário de Rafaela Fornari em 19 agosto 2010 às 20:03
Olá Dr. Nelson me interessei pelo seu artigo e gostaria de saber quais instrumentos são mais usados para traçar esse tipo de perfil.
Sou aluna do quarto ano de Psicologia, gostaria muito de saber qual sua abordagem.

Desde já agradeço
Comentário de rosangela ferreira de moraes em 23 março 2009 às 19:05
"viver e não ter vergonha de ser feliz...na certeza de ser um eterno aprendiz"

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