Idade Maior

Comunidade online para os 50+. Partilha de fotos, vídeos, grupos e blogs

Membros

Fórum

Procura de ex-colegas

Iniciado por Antonio Augusto R J Toscano em Família e Amigos 19 Maio.

Belas & Poderosas... com Riso!

Iniciado por Kyra Abreu em Arte e Entretenimento 6 Maio.

ideias criativas de lazer e porque não de negócio..... 4 respostas 

Iniciado por Tangerina em Arte e Entretenimento. Última resposta de Clan Tino 22 Mar.

INDIGNADA COM ESTE SITE 7 respostas 

Iniciado por Fernanda Monteiro em Arte e Entretenimento. Última resposta de Maria Lurdes 14 Mar.

Leituras

Iniciado por Manuela Conceição em Arte e Entretenimento 7 Mar.

Livros a ler 28 respostas 

Iniciado por guidaG em Arte e Entretenimento. Última resposta de Gazela 26 Fev.

Ser Feliz está na nossa mão? 4 respostas 

Iniciado por Kyra Abreu em Arte e Entretenimento. Última resposta de Kyra Abreu 27 Out, 2011.

O que você faria se fosse imortal?

Iniciado por Rodrigues Silva em Diversos 14 Out, 2011.

Que dizem sobre...

Iniciado por Rodrigues Silva em O Quotidiano da Vida 17 Ago, 2011.

1. O Gustavo sofre, desde há 40 anos, de uma vulgar perturbação orgânica que, todavia, com o avançar dos anos, foi-lhe criando uma série de incómodos e até mesmo alguma incapacidade funcional. Ele queixa-se de frequentes palpitações.

Até aqui, nada de extraordinário pois é uma "moléstia" que praticamente toda a gente sofre com maiores ou menores sintomas, sobretudo em situações de stress. Mas no caso do Gustavo essas palpitações chegam a aparecer com uma frequência na ordem das 500 a 600 vezes por dia. O curioso é que, aparentemente, não há motivos para tantas palpitações. Consultados vários médicos e feitos vários exames concluiu-se que se tratam de extrassístoles supraventriculares, umas contrações extras do coração que, embora sejam benignas, são muito incómodas para o Gustavo pois ele sente-as todas (e, por causa disso, vive num sobressalto constante pois cada extrassístole parece-se com uma brevíssima paragem cardíaca e o pobre coitado vive em pânico).

Não há cura conhecida. Geralmente os médicos receitam tranquilizantes ou medicamentos que fazem descer a pressão arterial e o ritmo cardíaco. Em casos mais severos poderá tentar-se uma pequena cirurgia, a colocação de um pacemaker e pouco mais. No caso do Gustavo, os betabloqueadores, que fazem descer a tensão, estão desaconselhados pois a dele está dentro dos valores normais. Por outro lado, esse tipo de medicação nem sempre funciona nas palpitações.

Sendo o Gustavo uma pessoa com um coração sadio, anatomicamente perfeito, sem colesterol nem pressão alta, sem outros problemas de saúde, tem a garantia (?) de que não irá morrer das tais palpitações. O problema é que...

...o Gustavo está a levar uma vida cada vez mais isolada e inibida. Sendo um homem de meia-idade, começou a viver sob tensão e medo há mais de 30, quando sofreu a primeira crise. O seu emprego está agora por um fio e o casamento está a ressentir-se, pois as crises começaram a ser cada vez mais frequentes. No emprego as palpitações aparecem em qualquer momento de stress. O coração entra numa estranha arritmia e ele tem de afastar-se para qualquer canto. No casamento, as relações sexuais terminaram porque a excitação e o simples esforço físico nos momentos de intimidade desencadeiam crises. O desânimo e a depressão instalaram-se no Gustavo.

Seguindo os conselhos médicos começou a fazer caminhadas, a experimentar a prática do relaxamento e a distrair-se. Toma um vulgar tranquilizante apenas para controlar a ansiedade. Curiosamente, nas últimas semanas, as palpitações quase desapareceram entre as 8 da manhã e as 8 da noite. Curioso este padrão. Mas, será um sinal de melhoria?

Não. Elas regressam em força a partir do início da noite, mesmo que o Gustavo esteja carregado de tranquilizantes e hiper-relaxado. Mas se for ao cinema, ao teatro ou simplesmente dar uma volta num shopping, é raro as extrassiostoles aparecerem nessas horas. Sentado em casa a ler ou a ver televisão....lá estão elas de volta. Estranho! E, obviamente, se pretender fazer amor com a sua esposa, o coração vai traí-lo, disparando palpitações incontroláveis (nessas ocasiões, ele, que tem uma pressão arterial dentro dos valores médios, pode vê-la subir para uns perigosos 220/120, situação que já o levou a correr às urgências 4 vezes nos últimos 12 meses). O problema está na personalidade do doente ou na sua "doença"?

As conclusões dos vários médicos consultados, perante todos os exames que já fez, alguns em plenas crises, insistem que se trata de uma situação benigna e que o meu amigo não vai morrer daquela estranha maleita.

Ora bem, não irá morrer daquilo mas ele está a ficar com uma qualidade de vida péssima. Não faltará muito para perder o emprego e quanto ao casamento não sei se terá futuro pois a esposa está convicta que o seu marido tem é "macaquinhos na cabeça". Mau sinal.

2. Finalmente, apareceu um cardiologista inteligente e expedito. Não quis saber tanto do coração do Gustavo como da sua psique. Analisou a personalidade do seu "doente" e concluiu que as suas extrassistoles são o resultado de uma constelação de factores como o temperamento, a história de vida e uma ansiedade generalizada (constante) que o atormenta desde a infância em que a pressão e o medo gerados por um pai autoritário e severo se instalaram na sua "amígdala" (uma pequena área do cérebro que regista as memórias emocionais).

Parece que o problema do Gustavo não é pois de natureza cardíaca (orgânica) mas antes funcional e com origem no sistema nervoso autónomo (muito conectado com as emoções e o coração) em resultado de uma experiência de vida menos boa que o afectou em criança e que agora, em adulto, poderá determinar o resto dos seus dias caso não consiga alterar uma série de aprendizagens instaladas ao longo dos anos (medo, ansiedade, etc.).

3. Escrevi esta crónica porque o Gustavo telefonou-me há dias, eufórico, para dizer que conseguiu estar 48 horas sem palpitações. Um verdadeiro milagre, para ele! Perguntei-lhe se saberia explicar o motivo. Respondeu-me que passou a tomar uns suplementos naturais que aliviam (sem baixar muito) a tensão arterial e que em vez de se sentar a ver televisão à espera das extrassistoles brinca com os filhos ou então vai dar uma voltinha ao bairro onde mora.

Não me convenceu. Parece-me que o Gustavo está, sim, a fazer algo mais promissor e certeiro: está a esforçar-se por acreditar que não é doente cardíaco; que, de facto, não morrerá de ataque cardíaco; e que, sobretudo, deve "limpar" as suas memórias emocionais orientando os seus pensamentos para actividades que o entusiasmem, o absorvam e o façam viver com tranquilidade, olhando para o futuro. As palpitações irão certamente continuar a diminuir de frequência e intensidade.

São milhares as pessoas que vivem assustadas com as suas "extrassístoles" e surtos de arritmias benignas devidas a palpitações descontroladas provocadas pelo stress, as tensões e um psiquismo hipervigilante. Acontece que, quando elas vivem o problema de forma tão atenta e assustada, criam um estado emocional que alimenta novas crises. A solução para este tipo de perturbações estará, em muitos casos, nas mãos dos próprios "doentes" desde que os médicos não se contentem em dizer: "caro senhor, isso não é nada, não se preocupe". Algo mais devem dizer e fazer.

Exibições: 1945

Comentar

Precisa ser um membro de Idade Maior para adicionar comentários!

Registe-se Idade Maior

Comentário de Fábio Emanuel Simões Carinhas em 22 junho 2011 às 15:12

Eu á 1 mês desmaiei ao fim de uma aula de educação física (natação) de manhã por ter  bebido só uma caneca com leite... 

passados 2 dias comecei a ter palpitações até hoje... já fui fazer análises, colocaram-me o holter e tudo está bem com o meu coração só que não consigo (por força emocional maior) sair muitas vezes de casa para fazer o que mais gosto devido ás palpitações, o meu peito começa-me a doer e a visão fica um pouco afectada...

 

não sei o que heide fazer para isto desaparecer tanto do coraçao como da cabeça, é que quando saio de casa começo logo a pensar que vou desmaiar outra vez a qualquer momento, por mais que nao queira acreditar estes pensamentos nao me saem da cabeça...

 

O que devo fazer? É que ainda por cima para a semana vou começar um estágio... 

Comentário de Joao Diogo Costa em 2 dezembro 2010 às 5:06
Como eu o percebo! Conheco alguém muito parecido com o Gustavo....EU! Até me privei (com medo) de fazer uma das coisas que mais gosto que é desporto :( tento saber conviver com "elas" se bem que é incomodativo nas horas! Desvalorizar a situação é o melhor mas por vezes não é fácil. Nada fácil!
Comentário de Márcio Henrique em 5 julho 2010 às 21:17
Bela Crônica!
Bem, tenho 28 anos e acho que as extrassistoles incomodam psicologicamente qualquer idade, desde que começamos a dar mais atenção a elas.
Eu tenho umas 10 por dia e sou completamente sintomático...
Sei que é mínimo, me considero sim, quase que curado, mas meu psicológico se abala com elas...
A verdade é que precisamos saber conviver com elas e relmente quando nos ocupamos ou estamos em exercício, quase não a percebemos.
Comentário de Pipas Santos em 27 maio 2010 às 12:09
Ola a todos bom dia... eu entendo completamente o que voces dizem, nao imaginem o que eu sofro.... ver as minha samigas a sairem a noite e divertirem.se , eu tb vou e saio, mas ssempre com akele medo "é hoje q me vai dar um atake" . sim porke a custa disto agora tb tenho atakes de panico .. bah ,sinto arritma taquicardia.. mas o problma é q nunca acusa nadaaaaaaaaaaa... fiz dpois um eco e tb estava td mt bem, mas eu é q sei o q acontece c meu corcao.. a pouco puz um hotler eventos 24h acusou arritmia sinusal e extrassistoles...isto ha uns 2 meses, agora ha 3 dias q ando com extrassistoles, e estou a tomar 2 victan por dia... a porcaria é q dizem q é sitem nervoso e dos atakes de panico MAS ESTA GENTE NAO VE QUE SO ME DA ATAKES DE PANICO DPOIS DE SENTIR O CORACAO A SALTAR E A PARAR??????!!!! ... grrrr logo eu c tanta vida pla frente e adoro viver =( sou tao nova ainda , gira, tenho o mundo a meus pes e nao me divistone vivo mais pk fico sempre cansada por causa desta porcaria
Comentário de Henrique Baltazar Alves em 11 janeiro 2010 às 0:38
Eu também sofro de extrassistoles.Aparecem-me normalmente quando vou para a cama ou quando estou mais stressante. É horrível sentir as paragens, pensando que está a morrer, mas depois tudo passa e volta à normalidade.Quando pratico desporto nada disso me acontece, pois meto muitos Kms durante o ano.Dá-me um prazer enorme quando ando 50, 70 ou mais kms de bicicleta. Quando estou em casa, é que, a cabeça começa a funcionar e aí vêm elas. No trabalho também não acontece nada, mas para dormir, é que, são elas. Mas tenho que aguentar porque há três anos que são as minhas companheiras e não há nada a fazer.
Comentário de Nelson S. Lima em 23 fevereiro 2009 às 13:30
Já agora acrescento que este problema das "extrassistoles" é comum nas pessoas nervosas e com um certo tipo de personalidade. Para o problema contribuem diferentes factores (incluindo genéticos e hereditários) e mais ainda o estilo de vida, o estilo cognitivo, o perfil emocional, as "janelas killer" abertas no registo automático da memória (fenómeno RAM), etc.
Trata-se claramente de um problema psicossomático (mente-corpo) que interage nos dois sentidos. As extrassistoles criam ansiedade e esta alimenta novas extrassístoles.
As extrassistoles, tal como a taquicardia e até sensações dolorosas no peito, são perturbações funcionais do coração que podem ser consideradas como manifestações corporais de emoções básica (medo, raiva, ec), da ansiedade ou da depressão.
Termos mais populares como "palpitações nervosas", "fobias cardíacas", "neurose de angústia" e "coração irritável" designam perturbações do ritmo cardíaco provocadas pelo sistema nervoso (devido a excesso de cafeína, angústia acumulada, tensão psicológica, etc.).
Se o leitor sofre de muitas palpitações ou extrassístoles e o cardiologista lhe garantiu que nada tem no seu sistema cardiovascular então é altura de mudar alguma coisa na sua vida. Porque é aí que está a origem do problema e não no coração.
Comentário de Nelson S. Lima em 23 fevereiro 2009 às 13:14
Conheço o Ricardo Santander, meu colega, autor deste texto. Estando ausente do País e atarefado com uma nova actividade profissional não poderá participar mais assiduamente nesta página. Mas, conhecendo eu o caso relatado acima, posso informar que não se trata de ficção. O caso é verdadeiro.
Comentário de Jeronimo em 20 fevereiro 2009 às 17:56
Boas,

Não sei se este relato é real ou não...mas que vejo 90% da minha vida espelhada nele...vejo!

Tanbem eu anseio e desespero cada vez que sou assolado por uma crise de Extrassistoles...Espero em breve descobrir como aniquilá-las para sempre.


1Abraço
NJ

© 2012   Criado por guidaG.

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço