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UM NADA QUE DÓI
A paragem para o tempo de férias obriga a reflexão.
Porque férias implicam também arrumação na cabeça e na alma para gerir a tranquilidade do descanso sem os pendentes do dia a dia.
«Quando há festa cá fora, há festa lá dentro.»
Nos papéis ou nos pensamentos que arrumámos antes de partir ficam quase sempre, no que respeita a estes últimos, pequenos ou grandes “nadas” que não partilhámos em devido tempo e que teremos que carregar a sós.
Porque…«os outros nunca sentem .Quem sente somos nós, sim, todos nós .»
«Até eu que neste momento já não estou sentindo nada. Nada! Não sei ..
Um nada que dói.»
Que azar ter encontrado o poema de Álvaro de Campos !?
Que vou ler e reler até voltar ao seu início: e tentar ser outra Pessoa! Como o Fernando...que por vezes se fazia passar pelo Álvaro!
«Na casa defronte de mim vejo janelas sem luz…que nada me dizem.
Moram ali pessoas que desconheço, que já vi mas não vi.
Há varandas de grades, vasos de flores que nunca vi quais eram.
Perto mas também longe dos pequenos “nadas” que não partilhei
e que na noite lenta antes do amanhecer ...
terei que carregar a sós…
à espera de um sono …sem sonhos…
que custa a chegar e…
... ... ... ... ... ... ... ... ...
Devo ter adormecido porque acordei estremunhado com o ruído do tubo de escape de uma mota que me passou por debaixo da janela do quarto.
Fazia "rateres" ou " ratings" ...ou lá o que é.
Mas já era dia ...
Felizmente que no Verão, mesmo em período de férias, as noites não são tão longas...
Os sons do tubo de escape libertaram-me de alguns sentimentos de incerteza, que na noite já fechada pelo luz do dia, pareceram esfumar-se...
Quando me levantei parecia que já nada me doía...
Abri a televisão e ouvi falar na Moody's e nos ratings...
Oh diabo... fui prematuro nos meus optimismos matinais...
O carro do lixo passou…fazendo rateres
Vou pra rua.
É tempo de férias.
As incertezas vão ficar para mais tarde...porque hoje é um novo dia.
Com manhã, tarde e noite...pra viver!
JERO
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