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NA "PRISÃO" É QUE ESTÁ A DAR...
Começo por declarar que sou um felizardo em termos de amigos. Tenho um “património de afectos” que não é brincadeira.
Sempre que posso dou uma saltada para visitar o meu amigo Moreira.Um amigo especial.Amigo das tropa.
Podemos estar alguns meses sem nos falarmos mas quando o telefone toca não são precisos nomes.Como estás e onde estás?
Estive com ele na semana passada.
Nesta fase do “campeonato da vida” deu em agricultor.
Levei-lhe uma prenda simbólica e obrigou-me a trazer laranjas e limões. E contou-me uma história da vida…
Lindíssima. Pelo menos eu achei. Vou partilhá-la com quem tem a paciência de me
ler de quando em quando.
«Até ao ano passado tive neste barracão com rede cerca de 150 pássaros. Tinha alguns melros e disseram-me que
eram aves protegidas, que não podia ter em cativeiro. Por essa e outras razões
chateei-me com tanta passarada e resolvi devolvê-los à liberdade.
Tinha alguns pombos e poucos dias depois apercebi-me que, contra a sua vontade,
já tinham feito parte do “petisco” de uns caçadores que moravam por perto.»
O Moreira, que é transmontano, disse seguidamente uns palavrões, que não reproduzo, mas que queriam dizer que mais valia ter estado quieto.
Mas como nem tudo é mau na vida teve recentemente uma boa surpresa.
Num arbusto que tem dentro do seu barracão vedado com rede (mas com uma abertura no cimo) avistou um dos seus antigos melros. Tinha voltado à “prisão” e fazia com afã um ninho.O seu ninho.
O Moreira via-o entrar e sair, trazendo materiais para a sua “habitação”. Sentia-se em casa, desfrutando com à vontade a segurança da sua antiga prisão. Dias depois o ninho estava pronto e tinha 3 bonitos ovos.

Disse ao Moreira:Agora é que o teu melro, da tal espécie protegida, está efectivamente protegido. Vais pô-lo fora?

«Nem pensar.Aqui é que ele (ou ela) está bem.»
Tirei umas fotos ,dei um abraço ao meu amigo da tropa, e regressei a Alcobaça.
Apanhei pouco trânsito e fartei-me de pensar no melro do Moreira.
Um pássaro “diz-nos” que a “prisão” é opção mais segura do que viver em liberdade!
Nos dias anteriores serviços noticiosos das televisões e jornais nacionais tinham referido o suicídio de uma criança em idade escolar e a morte de um professor que (eventualmente) não aguentou a pressão da sua profissão e acabou com a vida.
Afinal que tempos são estes em que vivemos?
A segurança para viver está na cadeia?
A opção do melro dava-me que pensar.
Uma "espécie protegida" pela lei estava bem porque estava em cativeiro…
Segurança para viver …precisa-se!
JERO

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Comentário de Henrique Manuel Durão em 16 março 2010 às 21:37
Comentário de Gazela em 16 março 2010 às 13:56 © 2012 Criado por guidaG.

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