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Ricardo Monteiro
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Pedagogia, sociologia, antropologia, literatura, psicologia

A UNIVERSIDADE DA CRIANÇA E A PROBLEMÁTICA DA “SOBREDOTAÇÃO” EM PORTUGAL

“A problemática da “sobredotação” tem suscitado atenção e interesse ao longo dos tempos, particularmente no que respeita aos aspectos e episódios mais ou menos extraordinários das realizações de sobredotados célebres. A sedução que esses episódios sempre exerceram contribuiu para que se criassem e generalizassem ideias mais ou menos fantasiosas em torno da “sobredotação” sem que, todavia, fosse possível estabelecer uma definição consensual de “sobredotação” (altas habilidades, elevados potenciais) e, menos ainda, sem que fosse possível estabelecer um modelo de intervenção educativa geralmente aceite com reconhecida eficácia.

De um modo geral, o sobredotado é visto como alguém que revela um desempenho saliente em todas as suas actividades, alguém que revela um talento especial para uma ou várias expressões artísticas (música, pintura, etc.) ou como alguém que, no domínio do seu desempenho académico, está sempre bem preparado para os exames, que é um estudante entusiasta e sem dificuldades, ou, enfim, à falta de melhor definição, alguém que possui uma inteligência superior devidamente atestada por resultados obtidos em testes de inteligência.

Visto deste modo, não haveria razão para se tomar um cuidado particular relativamente à escolarização destes alunos. Dir-se-ia que estes alunos aprendem sempre bem, sejam quais forem as circunstancias, boas ou más, que compõem o seu ambiente de estudo.

Todavia, entre os profissionais da educação, bem como na comunidade científica, sabe¬-se que isto não corresponde à realidade. Designadamente entre os professores, existe a convicção de que estas crianças experimentam dificuldades várias durante a sua escolaridade, pese embora a relevância das suas qualidades particulares.


Por outro lado, múltiplos estudos têm demonstrado que existem crianças com potencialidades extraordinárias que passam totalmente despercebidas aos olhos dos professores e que, por vezes, são mesmo identificadas por estes como sendo alunos problemáticos, com dificuldades relacionadas com o seu comportamento nas aulas, atenção, interesse pelas tarefas escolares, desempenho social, etc.”

O Ministério da Educação reedita de forma oportuna em 1998, com prefácio da então Directora do Departamento de Educação Básico, Dr.ª Teresa Vasconcelos, a versão original do documento supra citado sobre “Crianças e Jovens Sobredotados” (publicado pela antiga DGEBS em 1992) e dá assim um re-impulso importante na busca de uma definição para a “sobredotação” “no sentido de “possibilitar” uma intervenção educativa bem sucedida, quer no que diz respeito à criação de condições para a expressão e desenvolvimento de qualidades excepcionais, quer para a resolução de eventuais situações educativas problemáticas relativamente a estes alunos.”

Dez anos depois e através do Decreto-Lei n.º 3/2008 entendemos que “constitui desígnio do XVII Governo Constitucional promover a igualdade de oportunidades, valorizar a educação e promover a melhoria da qualidade do ensino. Um aspecto determinante dessa qualidade é a promoção de uma escola democrática e inclusiva, orientada para o sucesso educativo de todas as crianças e jovens. Nessa medida importa planear um sistema de educação flexível, pautado por uma política global integrada, que permita responder à diversidade de características e necessidades de todos os alunos que implicam a inclusão das crianças e jovens com necessidades educativas especiais no quadro de uma política de qualidade orientada para o sucesso educativo de todos os alunos”.

“Nos últimos anos, principalmente após a Declaração de Salamanca (1994), tem vindo a afirmar-se a noção de escola inclusiva, capaz de acolher e reter, no seu seio, grupos de crianças e jovens tradicionalmente excluídos. Esta noção, dada a sua dimensão eminentemente social, tem merecido o apoio generalizado de profissionais, da comunidade científica e de pais. A educação inclusiva visa a equidade educativa, sendo que por esta se entende a garantia de igualdade, quer no acesso quer nos resultados. No quadro da equidade educativa, o sistema e as práticas educativas devem assegurar a gestão da diversidade da qual decorrem diferentes tipos de estratégias que permitam responder às necessidades educativas dos alunos. Deste modo, a escola inclusiva pressupõe individualização e personalização das estratégias educativas, enquanto método de prossecução do objectivo de promover competências universais que permitam a autonomia e o acesso à condução plena da cidadania por parte de todos. Todos os alunos têm necessidades educativas, trabalhadas no quadro da gestão da diversidade acima referida.

Existem casos, porém, em que as necessidades se revestem de contornos muito específicos, exigindo a activação de apoios especializados.”

As crianças “sobredotadas” também exigem a activação de apoios especializados. E “todas as crianças e jovens com necessidades educativas especiais de carácter permanente têm direito ao reconhecimento da sua singularidade e à oferta de respostas educativas adequadas”, segundo o já mencionado decreto-Lei.

Urge pois encontrar soluções que viabilizem uma intervenção educativa sustentada e eficaz, menos teórica e de maior impacto também para estas crianças. Soluções de maior alcance, projectadas para além da tradicional “aceleração escolar”.

A UNIVERSIDADE DA CRIANÇA, defende igualmente, tal como o Ministério de Educação também, a tese da “integração da criança sobredotada no sistema regular de ensino, operando alterações nas oportunidades educativas devidas à especificidade das suas necessidades”, sendo esta conhecidamente a solução mais comum e que envolve menos riscos, recorrendo-se sobretudo à adaptação dos conteúdos curriculares e à mobilização de recursos educativos orientados para a diversificação da oferta de oportunidades educativas no contexto da sala de aula regular”.

Defende também, a UNIVERSIDADE DA CRIANÇA, em adição ao exposto, que o ensino actual exige profundas modificações. A escola oriunda da era industrial está ultrapassada. Novos modelos alternativos, mais eficazes e criativos ganham forma.

Essa metamorfose passa, para a Universidade da Criança, por três grandes momentos: pela transformação da estrutura organizacional do ensino nos planos nacional e regional, pela “revolução” do seu curriculum e pelo encorajamento de uma orientação mais voltada para o futuro.

Teremos uma escola, desse modo, mais perto da comunidade. Cada vez mais aulas serão realizadas fora de portas em empresas, museus ou em locais públicos. Os professores aprenderão a ver cada aluno como um todo singular onde se escondem, por vezes, potencialidades incríveis. Aprenderão a ser criativos e inovadores para serem capazes de libertar também o espírito criativo dos alunos. Assumir-se-ão como autênticos agitadores das mentalidades, lutando contra o conservadorismo, o conformismo, o cinzentismo e o comodismo que a educação familiar tantas vezes provoca nos mais novos. Se não o fizerem, nada acontecerá. Se não houver a vontade, não existirá a mudança. E quem quer alcançar aquilo que nunca alcançou, tem de estar preparado para fazer aquilo que nunca fez.

A “escola do futuro” será uma escola onde se aprenderá a pensar, filosofar e criar. Uma escola de alunos felizes e pensantes. Sejam eles “normais”, “talentosos” ou mesmo “sobredotados”.

Estas afirmações não fazem da UNIVERSIDADE DA CRIANÇA uma “escola para sobredotados”. A UC é uma escola livre-pensadora, regular, “(a tornar-se a cada dia mais inclusiva”), do 1.º Ciclo do EB com uma grande preocupação: “a de desenvolver uma pedagogia centrada na criança e capaz de bem sucedidamente educar todas as crianças, incluindo aquelas que possuam desvantagens severas ou vantagens brilhantes (com uma vocação pedagógica específica para estas últimas)”.

A Universidade da Criança não é pois neste contexto, aquilo a que os orgãos de informação nacionais teimam em chamar de “uma escola para sobredotados”.
É um rótulo que não lhe assenta! E que pode provocar leituras distorcidas.

A UNIVERSIDADE DA CRIANÇA não defende nem a criação de “grupos de competência” (tendo em conta “os riscos de estigmatização social e exclusão, inerentes à formação de espaços educativos segregadores) nem a possiblidade, no plano pedagógico, de organização de grupos de competência “homogéneos” no seu Campus. A Universidade da Criança é uma escola regular, com um projecto pedagógico diferenciado que também aceita crianças sobredotadas.

Mas então o que é a UNIVERSIDADE DA CRIANÇA? E o que é que a diferencia das outras escolas?

Jacques Delors, no relatório da UNESCO "Educação para o Século XXI" refere que "os sistemas educativos formais são muitas vezes, acusados e com razão, de limitar o desenvolvimento pessoal, impondo a todas as crianças o mesmo modelo cultural e intelectual sem ter em conta a diversidade dos talentos individuais. Tendem cada vez mais, por exemplo, a privilegiar o desenvolvimento do conhecimento abstracto, em detrimento doutras qualidades humanas como a imaginação, a aptidão para comunicar, o gosto pela animação do trabalho em equipa, o sentido do belo, a dimensão espiritual e a destreza manual."

As palavras de Jacques Delors dão roupagem aos sonhos e propósitos da Universidade da Criança e ao que esta instituição entende como ser uma “escola inclusiva do século XXI”, uma “escola do futuro”.
A este nível compete, de acordo com a Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, organizada pela UNESCO, em Salamanca, em Junho de 1994, à escola inclusiva o ” (…) desenvolvimento de uma pedagogia centrada na criança e capaz de bem sucedidamente educar todas as crianças, incluindo aquelas que possuam desvantagens severas.”; mais acrescentando que “o mérito de tais escolas não reside somente no facto de que elas sejam capazes de prover uma educação de alta qualidade a todas as crianças: o estabelecimento de tais escolas é um passo crucial no sentido de modificar atitudes discriminatórias, de criar comunidades acolhedoras e de desenvolver uma sociedade inclusiva, feliz e brilhante”.
A inclusão não deve ser uma política (nem a inteligência). Deve ser um princípio (a inteligência também). Naturalmente que é necessário a escola estar coerente com a Política, mas não ser uma política.
A educação sempre esteve claramente ligada a motivações de natureza económica, política, religiosa ou mesmo filosófica. Tentar separar a educação deste campo é ignorar as causas profundas das suas mudanças.
Não existe uma escola inclusiva. Existem escolas a tornarem-se mais inclusivas.
E a UNIVERSIDADE DA CRIANÇA é uma escola que está a tornar-se cada vez mais inclusiva.
A Universidade da Criança, enquanto “escola inclusiva”, pretende ser uma escola líder em relação às demais escolas, com altos padrões de desempenho por parte de todas as crianças envolvidas, na qual os professores estejam mais próximos dos alunos na captação das suas maiores dificuldades e potenciais; uma escola que proporcione um maior apoio e continuidade no desenvolvimento intelectual e emocional dos seus alunos, que crie uma rede de suporte para superação das suas maiores dificuldades e habilidades, e que esteja integrada à sua comunidade, tendo os pais como parceiros constantes. Com os critérios de avaliação antigos mudados para atender às necessidades dos alunos portadores de deficiência ou de “sobredotação”.
Uma escola espaço-aberto, criativa. Onde o meu e o seu filho disfrutem de uma sala de aula ampla, convidativa, estimulante e envolvente. Com música ambiente, metodologias diferenciadas nas disciplinas principais, conteúdos curriculares enriquecidos, um segundo e um terceiro idioma à sua escolha, vivendo o xadrez, a filosofia, a capoeira, o canto, o piano, o violoncelo ou o violino. Convivendo com vários professores, ambientes e realidades. Lendo as artes e aprendendo a expor as suas idéias e não a impô-las...
...e criando, isso sim, um coração “SOBREDOTADO”.
“Sobredotado” no amor, na paciência, na compaixão e na esperança por um futuro melhor.
Portimão, 22 de Setembro de 2008
Ricardo Monteiro (Universidade da Criança/ APUC)

Parcerias: Instituto da Inteligência, Centro de Estudos Augusto Cury, Academia de Música de Lagos, Institut fuer Hochbegabungspaedagogik Berlin, BIU, OIDEL, Forum para a Liberdade de Educação, CONFAP (entre outros)
Highlights: Dia 23 de Outubro de 2008 AUGUSTO CURY na Universidade da Criança em Portimão (www.universidade-da-crianca.pt )
Dia 23 de Outubro de 2008 Conferência de Imprensa do Doutor AUGUSTO CURY em Portimão ( www.centroaugustocury.com)
Dia 25 de Outubro de 2008 no Pavilhão Arade em Portimão – 1.º Congresso Nacional do Instituto da Inteligência com AUGUSTO CURY como orador principal – Com o apoio da Câmara Municipal de Portimão (www.apuc.pt) .
Dia 25 de Outubro de 2008 em Portimão – Lançamento do novo livro do Doutor AUGUSTO CURY – O “Código da Inteligência” (www.institutodainteligencia.net )
Dia 25 de Outubro em Portimão – Lançamento do Concurso Nacional “Jovens Escritores dos 6 aos 16 - Escrever para a Paz”. As obras premiadas serão publicadas e prefaciadas pelo Doutor Augusto Cury.
Dia 25 de Outubro de 2008 lançamento do Primeiro “Curso de Especialização de Pedagogia da Sobredotação” em Portugal pela Universidade da Criança.


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