Apesar de fazerem parte da nossa natureza, as emoções são, para nós, humanos, uma matéria sobre a qual ainda necessitamos de aprender muito. Na verdade, aprendemos muitas coisas ao longo da vida, desde logo a comunicar e a falar nos primeiros anos.
Sobre as emoções sabemos o que são pois sentimo-las. Elas afectam a nossa vida de uma maneira poderosa, mais do que os próprios pensamentos pois estes, sozinhos, sem a componente emocional, o humor ou a paixão, são insípidos.
A educação emocional é uma lacuna que não está ainda preenchida no sistema de ensino; não obstante, e por razões óbvias, há a educação sexual (a propósito, não seria melhor começar pela "educação dos afectos" antes de se entrar logo na esfera da sexualidade numa idade tão jovem?).
A educação emocional faz-se no seio família. Mas alguém tem plena consciência do que isso envolve e como isso afectará a vida de todos? Sabemos nós, pais, dar uma educação emocional, uma educação formal onde as aprendizagens emocionais tenham o devido lugar?
Ora bem, quando tentamos mergulhar na matéria, concluimos, rapidamente que sabemos muito pouco sobre o assunto. Primeiro, porque, o que quer dizer "educação emocional"? O que é que isso envolve? O que é que se pode ensinar? E, afinal, o que são as emoções?
O tema é vastíssimo e complexo. Há alguns anos nasceu o conceito de "inteligência emocional" (com o qual não concordo, aliás). De repente, apareceram uma série de livros sobre tal inteligência. Alguns apregoram o fim do Q.I. (o quociente de inteligência) e declararam instalado o Q.E. (o quociente emocional). Passou-se a acreditar piamente que a "inteligência emocional" era a chave do sucesso, mais do que a inteligência propriamente dita como factor geral de desenvolvimento cognitivo.
Não consta que, depois de tantos livros e workshops disponíveis no mercado, as pessoas tenham ficado mais inteligentes emocionalmente. Tomaram, é certo, consciência de que as emoções (as nossas e as dos outros) são determinantes para o auto-conhecimento, os comportamentos e as relações humanas. Mas ficou muita coisa por dizer. E continuamos bastante ignorantes.
Nos últimos 8 anos tenho dedicado uma parte do meu tempo a estudar a psicologia das emoções, entre outras disciplinas. É desse trabalho que resultou o livro O CÓDIGO DAS EMOÇÕES (ainda em fase de acabamento) e uma série de cursos já estruturados que pretendo dar por todo o país sobre o tema.
Este "código" pretende ser a chave para compreendermos melhor as emoções humanas e delas sabermos tirar partido para o nosso bem-estar, a saúde e os relacionamentos. Não sigo a estratégia da "inteligência emocional" mas uma aposta num maior conhecimento sobre o que são e como funcionam as emoções nos diferentes planos da nossa vida.
Um capítulo interessante e que considero útil para todos nós é a relação entre as emoções e a saúde, algo sobre o qual pouco se tem escrito e divulgado. Espero poder contribuir para que todos nós aprendamos mais sobre a mente emocional e a sua influência na nossa vida e na dos que nos rodeiam.