
TER MEDO E LOUCURA?
Medo
Morreu ontem o Medo Sem Loucura. Atravessava uma das ruas mais escuras da Vida quando um desejo intenso lhe retirou a Harmonia: atirou-se de cabeça - abaixo da ponte sem água. No seu Testamento encontrado dias após a sua Morte, no bolso da Alegria: que tudo guarda; um único pedido: “- Não autopsiem nunca o meu Ser”.
Sabe-se hoje que tal pedido foi recusado porque a Alegria casara-se um mês antes com o Ciúme: este não permite Traições. Da Autópsia ficaram expostos todos os Sentidos renegados: não vividos pelo Medo. Quanta Loucura dentro do Medo Sem Loucura! Foi sepultado ao pé do Amor que sempre o acompanhou: Solidão. A mesma Solidão que nunca lhe permitiu ter parentes: filhos. A mesma que lhe matou os pais e mais tarde os irmãos. Conseguiu na Morte o êxito que não alcançara a sua Alma em Vida: a resposta a Ter medo é loucura? Há perguntas às quais só a Morte sabe responder: ponto final. Sem pausas.
O seu epitáfio escrito pelas mãos do dono das palavras: escritor; com a ajuda do Tempo diz: “- Tu nasceste Medo num dia sem números e morreste no dia em que adicionaste letras ao Medo: Medo Sem Loucura.”
Consta que perde a cabeça: ganha medo. Sente Loucura quem se precipita de uma ponte sem antes saber a água que nela corre. Se esta o pode salvar ou perder. Ou se a Loucura e o Medo juntos o fazem deitar-se abaixo de uma ponte sem a água dela absorver.
Tags: