Acho louvável partilharmos aqui as nossas ideias sobre a educação, ou melhor sobre o actual sistema de ensino que é algo um pouco diferente.
O membro Manuel Carlos perguntou como se poderia sensibilizar a classe docente para o facto das suas práticas serem obsoletas e terem de despertar nos alunos o prazer de aprender.
Parece-me que a esmagadora maioria dos professores está bastante sensível para esse problema e procura actualizar as suas práticas pedagógicas, de acordo com os meios que dispõe (e este pormenor não é de somenos importância), além disso também creio que à partida quem decide ir para professor sempre teve uma vontade inata de aprender, só que, como é evidente, isso não se transmite por osmose.
Se virmos filmes como Os Coristas ou, mais recentemente, A Turma, deparamos com a realidade diária de um professor na sala de aula e o engenho que este tem de ter não só para captar a atenção e adesão dos alunos às tarefas que lhes são propostas, mas também para o fazer de forma legítima perante os seus superiores hierárquicos, muitas vezes cheios de ideias pré-concebidas sobre o que é ensinar e a total ausência da sua prática.
Também os programas são feitos por pessoas que se encontram nas salas do Ministério e que eventualmente já deram aulas, ou tiveram acesso a situações de êxito no ensino que rapidamente procuram impor a todas as escolas, esquecendo-se que cada escola tem uma realidade específica.
É óbvio que tem de haver uma lei de bases, e tem de haver um programa (aliás encontram-se agora em fase de debate os futuros programas para o ensino básico), mas é em cada escola que a adaptação à realidade tem de ser efectuada e respeitada.
Os profissionais de educação ainda são os professores, ou não? Algum de nós vai ao dentista e lhe explica como é que ele deve tratar os seus dentes? Por que motivo os pais, os colegas de outras disciplinas e basicamente todos os seres vivos se arrogam no direito de dizer aos professores como é que eles têm de planificar e gerir o seu tempo lectivo, de forma sistemática e constante? É evidente que há momentos em que todos podem e devem ser consultados, e que deve ser feita uma auscultação do desenrolar das aulas, mas não se pode fazer um diagnóstico a meio de uma terapia, de forma sistemática, invertendo práticas antes de se alcançar resultados.
Nos últimos anos Portugal já foi palco de duas grandes reformas no sistema de ensino, uma em 92 e outra mais recente, esta situação implica, por parte dos professores uma enorme elasticidade e investimento na sua constante auto-formação e reciclagem, muitas vezes para ver que o projecto que se acabou de abraçar afinal ficará em banho-maria (veja-se o caso da introdução da nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico numa área tão fulcral como é a Língua Materna).
Não me querendo desviar da pergunta inicial, bastante pertinente, gostaria de alertar para factores que me parecem que nem sempre são tidos em consideração quando se "avalia" o trabalho dos professores.