
Hoje apetece-me falar do Outono e partilhar divagações minhas... sobre esta estação meio "chata" e "cinzentona".
Claro que se deverá acrescentar
aqui por estas bandas lusas , pois em outras paragens, tudo é eventualmente diferente, com a também diferente, "moldura" da natureza.
Estranho os dias de chuva miudinha a cair de mansinho e o sol a deitar-se mais cedo.
Observo as árvores mudando de cor e as folhas tombando deixando-as despidas.
Tento agasalhar-me do frio que chega aos poucos e de mão dada com a teimosia do vento.
Experimento o tempo da maturidade, da disciplina e da interiorização.
Vivo a estação como parceira e cúmplice da saudade invasora.
Recordo o Verão ao juntar alguns troncos para acender a lareira e gosto dos paladares e aromas das receitas sazonais, das sopas, das castanhas, das romãs, das nozes, das abóboras, etc.
Sinto que a natureza cumpre a sua rotina e que nos devemos adaptar a mais um ciclo de vida.
Nos "Outonos" do meu imaginário de criança retenho o tempo dos livros e cadernos a cheirar a novo em mais um ano escolar, as brincadeiras na lama com os berlindes e o pião, os cuidados caseiros para os resfriados, os frutos secos na mesa, a decoração da casa com o aproximar do Natal e tantos outros "quadros" típicos das famílias urbanas dos arredores de Lisboa da segunda metade do século XX.
Nos "Outonos" actuais, como sempre, sou tentado a fazer novo balanço de mais um ano que vai findar.
Tento dissipar a nostalgia e retomar novas rotinas de energias mais calmas e mais sossegadas, como uma sauna relaxante, uma hidro-massagem com alongamentos musculares, contemplar o mar revolto e os gritos das gaivotas, ou ver um bom filme em poltrona de sala.
Acho que vou resistindo aos novos "Outonos" dos meus "Outonos" da vida, porém, sempre suspirando pela chegada de novas Primaveras.
O "meu" Outono Boreal, assim o recordo, assim o vejo , assim o experimento.
Fiquem bem e com tudo de bom.
Henrique Manuel Durão