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Permalink Responder até Nelson S. Lima em 31 janeiro 2009 at 20:49
Concordo na substância regra geral com o q- refere no seu post. Terá de existir a tal "inteligência" para a mudança do modelo económico usado nos últimos 30/40 anos, sobretudo
Mas entendo que essa "inteligência", existe mas foi negligenciada em prol de um modelo de desenvolvimento onde a busca suprema do "lucro" era a linha a seguir. E, essas "inteligências" que despoletavam donde e onde, ñ sendo ouvidas nem debatidas. E, como sempre o modelo económico dos E.U.A ditou a maioria do sentido económico e o nascimento de várias multinacionais, interdependentes entre as sucursais abertas a nível global e percorrendo o mesmo modelo. Logo esse modelo foi seguido por cópias de empresa mais pequenas.
Basta ver o protocolo de Quioto, por ex, que os E.U.A não respeitaram e dessa forma uma transmissão em contínuo ao uso e abuso de crude.
Centrando-me em Portugal, quantos projectos de energia alternativa deveriam, via o aproveitamento dessa “inteligência” já, nesta altura não poderíamos estar a usufruir de energias alternativas (barragens, eólicas (que me põe vários problemas) e sobretudo marítimas, tendo nós a costa que temos?
Vamos beneficiar desses aproveitamentos, daqui a vários anos, e porque estão incipientes neste altura e nas barragens como nas marítimas não serão obras feitas por nós, Portugueses, nem sequer projectadas, acho eu, e onde tantos anos antes Portugal, via LNEC, era um Laboratório de elite procurado em todo o mundo e onde assinaturas de barragens estão lá ostentadas.
Logo esta leitura leva-nos a um facto relevante: os governantes e as suas politicas, quanto a mim. Logo as empresas e o tecido economico ficam reféns dessa politica e necessariamente adaptam-se ao que é a regra superior do estado.
Obama já introduziu mudanças e em cima da mesa está, entre outros demais importantes, este assunto e o pretendido compromisso que a “ajuda” ao sector automóvel, só irá passar se essas empresas inovaram no sentido de usarem como combustível outras que não os derivados de crude.
É um grande exemplo de orientação económica e finalmente um a preocupação sentida e assumida por um Presidente que irá condicionar lutas medidas e fazer essa “inteligência que existia, finalmente aparecer.
Outro dado,por ex. de “inteligência” será o de comércio justo em Portugal. O conceito dessas lojas é o criar redes de lojas que divulgam/vendem produtos oriundos de certas zonas pobres da América do Sul e ficam encarecidos pelos impostos de cerca de 40% na importação dos mesmos produtos. E, se repararmos, como será possível em Portugal o vendável de Lojas de 300, transaccionando os seus produtos ao mesmo preço que em Macau, ou Japão. E, onde são facturados esses 40%, sendo que a distância será a mesma que em relação ao comercio justo? Não são cadeias de solidariedade mas um conceito “inteligente” de nova área de comércio, com um sentido de justeza do lucro.
Só pretendo dizer que há “inteligências”, basta ver por ex, os n/ investigadores o que tem alcançado, mas no fundo o centro politico faz as leis e impõe caminhos.
Outro grande exemplo é agora ser anunciado a vinda de turistas para Lisboa, sendo estes portugueses ou estrangeiros. Tudo bem. E, como? Neste momento, como saberá, o estado de conversação da maioria deles, Convento de Cristo, Sé e tantos outros estão a “cair” aspecto negro, musgo verde, etc…. que fez o IPAR ao longo de anos??
São anos e anos de nenhuma intervenção e essa negligencia cabe a quem? Tantas vezes que essas situações forma alertadas?
Tal como a agua (ouro do futuro) e a qualidade dela, tão derivada de um péssimo aproveitamento e de perdas enormes no caminho das albufeiras até Lisboa ou outros locais até nossas casas.
Depois concordo consigo, historicamente há o exemplo de modelos que guiaram a economia mundial e há que reinventar um modelo mais justo e equilibrada de forma que não exista fome, doenças controláveis etc..
Mas no fundo o que se retira é que os extremismos apareceram neste contexto de injustiças históricas mal-resolvidas por inteligências politicas e deram o quê, perante tantas vozes , mais “Inteligentes” que alertavam para o que se vem a assistir?
Espera-se cerca de entre 40 milhoês desempregados e provavelmente no mês que vem este numero estará desactualizado.
Ao fim e ao cabo estamos num crise, dentro de várias crises, não acha?
Maria Ramalho
mariaramalho.ctx@gmail.com
Permalink Responder até Nelson S. Lima em 31 janeiro 2009 at 20:59
Obrigado pela sua colaboração.
Concordo com tudo o que escreveu. Enfim, estamos na periferia de um furacão. Mas o que me preocupa, como cidadão, já não é a crise econónmica em si mesma mas as consequências sociais, físicas e psicológicas que afectarão milhões de cidadãos, directa e indirectamente, devido ao clima de insegurança, pobreza, medo e desgaste a que estão a ser sujeitos.
Haja, porém, esperança. E que cada um de nós, através da palavra, das acções, das escolhas e do exemplo ajude a mudar a nossa sociedade. O modelo que marcou as últimas gerações já mostrou que se esgotou. Como disse um politólogo francês (cujo nome não fixei) "vivemos sobretudo uma crise de inteligência". Então, arregacemos as mangas e actuemos!
Permalink Responder até Gazela em 26 fevereiro 2009 at 11:14
A propósito de crise, e porque é importante realçar o que de bom se escreve sobre o assunto, junto uma pequena divagação pelo mundo do imaginário de Mário Crespo (muito bem imaginado):
Imaginem
00h30m
Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados. Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação.
Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.
Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.
Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês.
Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.
Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.
Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.
Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo.
Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos.
Imaginem que país seremos se não o fizermos.
Bem imaginado!
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