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Com raras excepções, é devido à necessidade de resolver problemas que a nossa mente age em busca de soluções. Não havendo esse sentimento, ficamos embalados no conformismo e na acomodação das situações. E então nada acontece de novo.

Nos últimos 150 anos o mundo transformou-se profunda e radicalmente. Podemos perceber diferentes vagas de mudança. O investigador e visionário Alvin Tofler aponta três. A primeira durou até à revolução industrial e era dominada pela agricultura. Depois seguiu-se a era industrial e, finalmente, a sociedade tecnológica que hoje vivemos. O mundo tornou-se numa “aldeia global”, ficou como que “plano”.

O incremento das relações humanas e a facilidade com que se processam atingiram valores impensáveis há apenas 20 anos. De um momento para outro, as organizações humanas (empresas, sobretudo) viram-se confrontadas com a necessidade de novas formas de gerir os seus negócios e interesses em todos os domínios: na produção, na comercialização, no financiamento, nas relações com os consumidores, etc.

As regras e as práticas da era industrial começaram a ficar obsoletas e a darem mostras de incompatibilidade com a natureza complexa, ambígua e indeterminada dos tempos actuais. O simples método da previsão, tão em voga na sociedade fabril, deixou de funcionar. Toda a previsão em negócios é agora um exercício de alto risco dada a cada vez maior instabilidade dos mercados, as modificações observadas ao nível da psicologia dos consumidores e ao cada vez mais curto ciclo de vida dos produtos.

A actual era exige dos gestores, empresários e governantes novas competências, novos saberes e sobretudo novos talentos. Já não basta ter vocação ou paixão pelos negócios ou pela pólítica. Isso não é garantia de sucesso. Agora é preciso mais, muito mais. As empresas, como as estruturas políticas, sentem cada vez mais a necessidade de contratarem os melhores colaboradores, não apenas os das posições superiores mas também os que desempenham actividades mais rotineiras e até aqui pouco estimadas como a das recepcionistas, por exemplo. Na verdade, a era que vivemos já não é a da informação e do conhecimento. Estamos sim na era da inteligência e do pensamento competitivo.

A inovação em gestão e em governação é vital. A actual crise financeira internacional é o reflexo de mudanças subterrâneas que estavam acontecendo e que anunciavam a nova era. Quase todas as empresas, mesmo as mais bem dotadas de genialidade, foram apanhadas de surpresa e assistem, incrédulas, ao desmoronar de crenças, normas, práticas, ideias e processos que serviram adequadamente na sociedade fabril mas que se tornaram quase inúteis nos novos tempos.

É tempo de pensar rapidamente no que fazer. É urgente inovar na gestão. Não basta o apoio dos governos para a crise económica que afecta todo o mundo. Isso será apenas uma panaceia para cobrir problemas financeiros imediatos. É tempo de agir e preparar o futuro que já está à nossa frente.

A inovação passará também pelo ensino e a formação, sectores que em geral se encontram desajustados das necessidades da era da inteligência. Um novo tipo de pensamento prático se torna urgente desenvolver nas escolas, nas universidades e nas empresas.

Finalmente, as leis de Darwin – que explicam a evolução dos sistemas vivos – estão mais actuais do que nunca no mundo empresarial: só os mais fortes, competitivos e inteligentes sobreviverão. Mas, ao contrário do que se passa no reino animal, onde a evolução acontece geralmente de forma gradual, sem grandes rupturas e descontinuidades, no mundo das instituições e das empresas, a evolução pode ser marcada por grandes saltos, bruscas viragens de direcção e eventos muito rápidos e imprevisíveis.

Assim sendo, razão terão alguns visionários que profetizam o desaparecimento de mais de 80% das empresas actuais nos próximos 5 a 10 anos em todo o mundo! É que poucas parecem ter massa cinzenta apurada para discernir sobre o que fazer realmente. Continuam agindo como na era fabril, estupefactas perante o infortúnio e a surpresa da mudança. Fecharão as portas.

Felizmente para a sociedade e a economia, ficarão aquelas que estão despertas para a natureza das transformações que terão de enfrentar e também as empresas de nova geração que estão desabrochando no horizonte.

Os tempos que vivemos são complexos e tempestuosos. Mas o mundo ficará melhor servido, com renovadas e melhores empresas, quando a turbulência abrandar. É urgente e absolutamente necessário fazer uso cada vez mais lúcido da inteligência.

Nota: acabei de ouvir na rádio que o número de novos desempregados em todo o Mundo está próximo dos 20 milhões. As grandes multinacionais estão a encolher, a reduzir postos de trabalho, a fechar sucursais, a paralizar a produção. Anuncia-se uma crise social profunda e uma sociedade doente (o número de pessoas afectadas com depressões, ansiedades, angústias, medos e doenças nervosas e cardiovasculares vai disparar).

Últimos dados (30 Jan 09):
A empresa multinacional norte-americana Manitowoc Crane Group (MCG) vai eliminar 2.100 postos de trabalho ligados à produção de gruas em vários países, incluindo Portugal.

O grupo japonês Toshiba, um dos maiores mundiais no ramo da electrónica de consumo, anunciou a supressão de 4.500 postos de trabalho até Março.

A norte-americana IBM por sua vez, que de acordo com fonte sindical, traçou já um plano social que visa suprimir mais de 2.800 empregos.

O fabricante nipónico de vidro Nippon Sheet Glass (NSG) anunciou também a supressão de 5.800 empregos em todo o mundo, no quadro de um plano de reestruturação visando a tirar o grupo do vermelho.

Na Europa, o grupo bancário belga Dexia deverá anunciar a supressão de 700 a 800 empregos.

Em Espanha, a construtora de automóveis francesa Renault anunciou uma redução da produção na fábrica de Palencia (norte) devido à crise que afecta o sector e que levou à não renovação dos contratos de 400 trabalhadores temporários.

Nos Estados Unidos, a Eastman Kodak anunciou que vai suprimir entre 3.500 a 4.500 pessoas em 2009, entre 14 e 18 por cento, após falhar a passagem à fotografia digital.

Ainda nos Estados Unidos, a Ford Motor Credit, o braço financeiro da construtora automóvel Ford, informou que perdeu 1.536 milhões de dólares em 2008 e que eliminará cerca de 20 por cento dos seus efectivos, o que deverá afectar 1.200 postos de trabalho em 2009.

A farmacêutica norte-americana AstraZeneca anunciou a eliminação de 6.000 postos de trabalho a nível mundial até 2013.

O Metropolitano de Londres também anunciou o corte de 1.000 postos de trabalho durante o ano de 2009.

A cadeia de lojas norte-americana Bon-Ton anunciou o despedimento de 1.150 pessoas, e acrescentou que vai eliminar o bónus dos seus executivos e as promoções por mérito, num esforço que pretende reduzir custos anuais na ordem dos 70 milhões de dólares.

Nos EUA, os números do desemprego divulgados pelo Departamento do Trabalho, apontam para novos recordes negativos.

Na semana terminada a 24 de Janeiro, 3.000 pessoas requereram subsídio de desemprego pela primeira vez, aumentando o acumulado de Janeiro para os 588 mil novos pedidos, apenas menos 1.000 do que os mínimos de 26 anos estabelecidos no mês passado, quando falta contabilizar uma semana.

O número de pessoas a receber subsídio de desemprego nos EUA aumentou em 159 mil, na semana terminada a 17 de Janeiro, elevando para 4.776 milhões as pessoas que recebem esta ajuda estatal, o mais elevado desde pelo menos 1967, ano em que se começaram a realizar este tipo de registos.

Caso a situação económica continue a deteriorar-se ao longo de 2009, haverá mais 11 milhões de desempregados em comparação com 2007, elevando o total de desempregados para os 40 milhões.

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Respostas a este tópico

Concordo na substância regra geral com o q- refere no seu post. Terá de existir a tal "inteligência" para a mudança do modelo económico usado nos últimos 30/40 anos, sobretudo
Mas entendo que essa "inteligência", existe mas foi negligenciada em prol de um modelo de desenvolvimento onde a busca suprema do "lucro" era a linha a seguir. E, essas "inteligências" que despoletavam donde e onde, ñ sendo ouvidas nem debatidas. E, como sempre o modelo económico dos E.U.A ditou a maioria do sentido económico e o nascimento de várias multinacionais, interdependentes entre as sucursais abertas a nível global e percorrendo o mesmo modelo. Logo esse modelo foi seguido por cópias de empresa mais pequenas.
Basta ver o protocolo de Quioto, por ex, que os E.U.A não respeitaram e dessa forma uma transmissão em contínuo ao uso e abuso de crude.
Centrando-me em Portugal, quantos projectos de energia alternativa deveriam, via o aproveitamento dessa “inteligência” já, nesta altura não poderíamos estar a usufruir de energias alternativas (barragens, eólicas (que me põe vários problemas) e sobretudo marítimas, tendo nós a costa que temos?
Vamos beneficiar desses aproveitamentos, daqui a vários anos, e porque estão incipientes neste altura e nas barragens como nas marítimas não serão obras feitas por nós, Portugueses, nem sequer projectadas, acho eu, e onde tantos anos antes Portugal, via LNEC, era um Laboratório de elite procurado em todo o mundo e onde assinaturas de barragens estão lá ostentadas.
Logo esta leitura leva-nos a um facto relevante: os governantes e as suas politicas, quanto a mim. Logo as empresas e o tecido economico ficam reféns dessa politica e necessariamente adaptam-se ao que é a regra superior do estado.

Obama já introduziu mudanças e em cima da mesa está, entre outros demais importantes, este assunto e o pretendido compromisso que a “ajuda” ao sector automóvel, só irá passar se essas empresas inovaram no sentido de usarem como combustível outras que não os derivados de crude.
É um grande exemplo de orientação económica e finalmente um a preocupação sentida e assumida por um Presidente que irá condicionar lutas medidas e fazer essa “inteligência que existia, finalmente aparecer.

Outro dado,por ex. de “inteligência” será o de comércio justo em Portugal. O conceito dessas lojas é o criar redes de lojas que divulgam/vendem produtos oriundos de certas zonas pobres da América do Sul e ficam encarecidos pelos impostos de cerca de 40% na importação dos mesmos produtos. E, se repararmos, como será possível em Portugal o vendável de Lojas de 300, transaccionando os seus produtos ao mesmo preço que em Macau, ou Japão. E, onde são facturados esses 40%, sendo que a distância será a mesma que em relação ao comercio justo? Não são cadeias de solidariedade mas um conceito “inteligente” de nova área de comércio, com um sentido de justeza do lucro.

Só pretendo dizer que há “inteligências”, basta ver por ex, os n/ investigadores o que tem alcançado, mas no fundo o centro politico faz as leis e impõe caminhos.
Outro grande exemplo é agora ser anunciado a vinda de turistas para Lisboa, sendo estes portugueses ou estrangeiros. Tudo bem. E, como? Neste momento, como saberá, o estado de conversação da maioria deles, Convento de Cristo, Sé e tantos outros estão a “cair” aspecto negro, musgo verde, etc…. que fez o IPAR ao longo de anos??
São anos e anos de nenhuma intervenção e essa negligencia cabe a quem? Tantas vezes que essas situações forma alertadas?

Tal como a agua (ouro do futuro) e a qualidade dela, tão derivada de um péssimo aproveitamento e de perdas enormes no caminho das albufeiras até Lisboa ou outros locais até nossas casas.

Depois concordo consigo, historicamente há o exemplo de modelos que guiaram a economia mundial e há que reinventar um modelo mais justo e equilibrada de forma que não exista fome, doenças controláveis etc..
Mas no fundo o que se retira é que os extremismos apareceram neste contexto de injustiças históricas mal-resolvidas por inteligências politicas e deram o quê, perante tantas vozes , mais “Inteligentes” que alertavam para o que se vem a assistir?

Espera-se cerca de entre 40 milhoês desempregados e provavelmente no mês que vem este numero estará desactualizado.
Ao fim e ao cabo estamos num crise, dentro de várias crises, não acha?

Maria Ramalho
mariaramalho.ctx@gmail.com
Joao Antonio Ramalho disse:
Concordo na substância regra geral com o q- refere no seu post. Terá de existir a tal "inteligência" para a mudança do modelo económico usado nos últimos 30/40 anos, sobretudo
Mas entendo que essa "inteligência", existe mas foi negligenciada em prol de um modelo de desenvolvimento onde a busca suprema do "lucro" era a linha a seguir. E, essas "inteligências" que despoletavam donde e onde, ñ sendo ouvidas nem debatidas. E, como sempre o modelo económico dos E.U.A ditou a maioria do sentido económico e o nascimento de várias multinacionais, interdependentes entre as sucursais abertas a nível global e percorrendo o mesmo modelo. Logo esse modelo foi seguido por cópias de empresa mais pequenas.
Basta ver o protocolo de Quioto, por ex, que os E.U.A não respeitaram e dessa forma uma transmissão em contínuo ao uso e abuso de crude.
Centrando-me em Portugal, quantos projectos de energia alternativa deveriam, via o aproveitamento dessa “inteligência” já, nesta altura não poderíamos estar a usufruir de energias alternativas (barragens, eólicas (que me põe vários problemas) e sobretudo marítimas, tendo nós a costa que temos?
Vamos beneficiar desses aproveitamentos, daqui a vários anos, e porque estão incipientes neste altura e nas barragens como nas marítimas não serão obras feitas por nós, Portugueses, nem sequer projectadas, acho eu, e onde tantos anos antes Portugal, via LNEC, era um Laboratório de elite procurado em todo o mundo e onde assinaturas de barragens estão lá ostentadas.
Logo esta leitura leva-nos a um facto relevante: os governantes e as suas politicas, quanto a mim. Logo as empresas e o tecido economico ficam reféns dessa politica e necessariamente adaptam-se ao que é a regra superior do estado.

Obama já introduziu mudanças e em cima da mesa está, entre outros demais importantes, este assunto e o pretendido compromisso que a “ajuda” ao sector automóvel, só irá passar se essas empresas inovaram no sentido de usarem como combustível outras que não os derivados de crude.
É um grande exemplo de orientação económica e finalmente um a preocupação sentida e assumida por um Presidente que irá condicionar lutas medidas e fazer essa “inteligência que existia, finalmente aparecer.

Outro dado,por ex. de “inteligência” será o de comércio justo em Portugal. O conceito dessas lojas é o criar redes de lojas que divulgam/vendem produtos oriundos de certas zonas pobres da América do Sul e ficam encarecidos pelos impostos de cerca de 40% na importação dos mesmos produtos. E, se repararmos, como será possível em Portugal o vendável de Lojas de 300, transaccionando os seus produtos ao mesmo preço que em Macau, ou Japão. E, onde são facturados esses 40%, sendo que a distância será a mesma que em relação ao comercio justo? Não são cadeias de solidariedade mas um conceito “inteligente” de nova área de comércio, com um sentido de justeza do lucro.

Só pretendo dizer que há “inteligências”, basta ver por ex, os n/ investigadores o que tem alcançado, mas no fundo o centro politico faz as leis e impõe caminhos.
Outro grande exemplo é agora ser anunciado a vinda de turistas para Lisboa, sendo estes portugueses ou estrangeiros. Tudo bem. E, como? Neste momento, como saberá, o estado de conversação da maioria deles, Convento de Cristo, Sé e tantos outros estão a “cair” aspecto negro, musgo verde, etc…. que fez o IPAR ao longo de anos??
São anos e anos de nenhuma intervenção e essa negligencia cabe a quem? Tantas vezes que essas situações forma alertadas?

Tal como a agua (ouro do futuro) e a qualidade dela, tão derivada de um péssimo aproveitamento e de perdas enormes no caminho das albufeiras até Lisboa ou outros locais até nossas casas.

Depois concordo consigo, historicamente há o exemplo de modelos que guiaram a economia mundial e há que reinventar um modelo mais justo e equilibrada de forma que não exista fome, doenças controláveis etc..
Mas no fundo o que se retira é que os extremismos apareceram neste contexto de injustiças históricas mal-resolvidas por inteligências politicas e deram o quê, perante tantas vozes , mais “Inteligentes” que alertavam para o que se vem a assistir?

Espera-se cerca de entre 40 milhoês desempregados e provavelmente no mês que vem este numero estará desactualizado.
Ao fim e ao cabo estamos num crise, dentro de várias crises, não acha?

Maria Ramalho
mariaramalho.ctx@gmail.com
Obrigado pela sua colaboração.
Concordo com tudo o que escreveu. Enfim, estamos na periferia de um furacão. Mas o que me preocupa, como cidadão, já não é a crise econónmica em si mesma mas as consequências sociais, físicas e psicológicas que afectarão milhões de cidadãos, directa e indirectamente, devido ao clima de insegurança, pobreza, medo e desgaste a que estão a ser sujeitos.
Haja, porém, esperança. E que cada um de nós, através da palavra, das acções, das escolhas e do exemplo ajude a mudar a nossa sociedade. O modelo que marcou as últimas gerações já mostrou que se esgotou. Como disse um politólogo francês (cujo nome não fixei) "vivemos sobretudo uma crise de inteligência". Então, arregacemos as mangas e actuemos!
Olá, Boa-Tarde.

obrigado e ainda bem que ambos concordamos.
apesar de usar o e-mail de joao ramalho, sou a mulher dele, maria ramalho , porque não me registei com o meu mail. Estava às voltas com o "gmail"e foi por isso.
mariaramalho.ctx@gmail.com
hoje teria mais umas coisinhas para acrescentar, mas não me dá já o tempo que disponho ;(
Tv logo à noite. Mas ñ vou deixar de as colocar
Maria

Nelson S. Lima disse:
Obrigado pela sua colaboração.
Concordo com tudo o que escreveu. Enfim, estamos na periferia de um furacão. Mas o que me preocupa, como cidadão, já não é a crise econónmica em si mesma mas as consequências sociais, físicas e psicológicas que afectarão milhões de cidadãos, directa e indirectamente, devido ao clima de insegurança, pobreza, medo e desgaste a que estão a ser sujeitos.
Haja, porém, esperança. E que cada um de nós, através da palavra, das acções, das escolhas e do exemplo ajude a mudar a nossa sociedade. O modelo que marcou as últimas gerações já mostrou que se esgotou. Como disse um politólogo francês (cujo nome não fixei) "vivemos sobretudo uma crise de inteligência". Então, arregacemos as mangas e actuemos!
A propósito de crise, e porque é importante realçar o que de bom se escreve sobre o assunto, junto uma pequena divagação pelo mundo do imaginário de Mário Crespo (muito bem imaginado):





Imaginem
00h30m

Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados. Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação.
Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.

Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.

Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês.

Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.

Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.

Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.

Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo.

Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos.

Imaginem que país seremos se não o fizermos.




Bem imaginado!
Gazela disse:
A propósito de crise, e porque é importante realçar o que de bom se escreve sobre o assunto, junto uma pequena divagação pelo mundo do imaginário de Mário Crespo (muito bem imaginado):





Imaginem
00h30m

Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados. Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação.
Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.

Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.

Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês.

Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.

Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.

Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.

Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo.

Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos.

Imaginem que país seremos se não o fizermos.




Bem imaginado!

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